Segunda-feira, Janeiro 30, 2006
QUERIDOS AMIGOS

+ DE 30 dias sem escrever diário. Um recorde na minha vida. Queria entrar 2006 neste espaço, o de amor em segredo e histórias infiéis. O espaço demorou a ficar pronto e eu fiquei em silêncio.
É difícil para mim o silêncio, tão confortável para outras pessoas.
Hoje, escrevo dividida entre escrever sobre juventude ou destruição. Porque eu, ás vezes, me sinto jovem, de uma forma melhor do que era na juventude. Sei evitar um bocado de coisas ruins e descobri coisas boas sem as quais não posso viver. Sei que posso amar, realizar, construir porque já sobrevivi a tantas outras...

Quem quiser continuar lendo e interagindo com a autora, por favor, www.amoremsegredo.com.br. Aguardo vocês lá.

Publicado por SONIA RODRIGUES em 1:14 PM

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Copyright © 2003 Sonia Rodrigues
Terça-feira, Dezembro 27, 2005
31

quilômetros ao sol

distensões risonhas de zombeteiro carinho

pressões de intensidade variada em torno da circunferência perfeita

exposições de divergências inconseqüentes

toques de mão fortuitos

afinações do recheio de amêndoas com mãos deliberadas

mantras de cinco letras pulsando de duas em duas sílabas, com uma única tradução

interjeições de cinco letras pulsando de duas em duas sílabas, com uma única tradução

cantos tribais organizando o caos, provocando o caos, determinando o caos de onde nasce a complexidade e a luz.



Publicado por SONIA RODRIGUES em 11:50 PM

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Segunda-feira, Dezembro 26, 2005
Mudança de planos

Pretendia escrever um bocado. Tecer observações profundas sobre o que vi, vivi, aprendi nos últimos dias. Mas cheguei do cinema, comédia romântica, fiz um arroz de bacalhau, assisti um pouco de seriado americano (sim, eu também) e resolvi dormir. Contente. Porque hoje pratiquei o bem para mim mesma.

Publicado por SONIA RODRIGUES em 1:02 AM

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Sexta-feira, Dezembro 23, 2005
Ouro em pó

Semana passada, fui ao Outback com um homem que durante muito tempo me traduziu o mundo. Nós íamos a festas, na juventude, e eu me jogava para trás de um lado da sala, de brincadeira, na certeza de que ele estaria pronto para me segurar. E sempre estava.

Da mesma forma, Silvinho, que está operando a coluna hoje, era tão presente na minha vida que ao rebater comentários de que ele era um galinha completo, um cafajeste empedernido, dizia: não sou tão ruim assim, eu nunca cantei Sonia Rodrigues. Eu sentia isso como um elogio, nunca passou pela minha cabeça que ele pudesse simplesmente não sentir tesão por mim porque um poste vestido de mulher o atraia.

No site http://nelsonrodrigues.oi.com.br que colocamos no ar a partir de ontem, meu pai diz, na seção Nelson Rodrigues Mulher, que um homem trata uma mulher com respeito ou quando gosta demais ou quando gosta de menos. Silvio gostava demais de mim.

Nós tínhamos uma bela pequena comunidade de jovens comunistas. Quatro rapazes, um apartamento grande no subúrbio, eu, a única garota. 1977. E Mariana, filha do Silvio, vivendo parte do tempo conosco.

Eu era mimada naquele grupo. Eles admiravam, eu acho, minha capacidade de escalar dificuldades, meu prazer de dançar a noite inteira, os namorados não comunistas, o surfista, o que tocava piano, depois, morreu recentemente. Os dois foram amigos dos rapazes da minha comuna.

Por que escrevo sobre isso hoje? Porque num certo momento, um homem pequeno foi incorporado ao grupo. Mais de um. E foi o homem de fogo que incorporou. Homens pequenos com raiva do pai são homens perigosos para homens grandes com raiva do pai. O homenzinho intrigava o homem de fogo. E durante anos ele não percebeu e se deixou envenenar. Por que?

Acho que nós não estávamos preparados para a maldade. Não que fossemos bonzinhos, mas acreditávamos que o ser humano seria bom se bem tratado. Isso não se confirma. Alguns homens invejam homens que são legais com eles e tentam roubar o que têm. Disputar o que é deles.

Porque nós tínhamos, como diz Cecília, hoje, ouro em pó. Ouro em pó não se desperdiça. Hoje, o homem de fogo me perguntou: quer ler as 120 páginas que escrevi para purgar meus erros? Eu disse: só depois que você tomar providências de saúde, há muito adiadas.

Chego do samba, tenho que dormir rápido. Porque amanhã me cabe a tarefa de conferir se a dor absoluta detonou de vez com a força de vida do homem que um dia me traduziu o mundo. A vida é curta para a gente desperdiçá-la com a má vontade alheia.

Publicado por SONIA RODRIGUES em 12:25 AM

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Quarta-feira, Dezembro 21, 2005
Trabalho

Eu adoro trabalhar. Em geral, toco dois, três, quatro projetos numa boa. Só que tem hora que cansa. Hoje, por exemplo, estou trabalhando sem parar, desde a hora que acordei, no meu jeito sequelado, estabanado e ansioso, mas super concentrado e, ao final, eficiente. Agora, enchi. Preciso imprimir um contrato e assinar. Não consigo.

2005 foi um ano muito difícil e está pintando com um final muito bom. Previ isso aqui, num post de nove de novembro, com o título Sete anos. Eu perguntava, num momento onde só nuvens escuras existiam na minha frente, o que me reservava o final de 2005.

Aprendi muito em 2005. Aprendi principalmente o que preciso aprender, o que me falta. Aprendi a entender (até certo ponto) o que as pessoas não querem ou indicam não querer. Isso foi o mais difícil.

Mas o melhor de tudo é que aprendi a parar. Como agora. Não aguento mais pensar depois de tanta batalha, tanta agenda. Trabalho em excesso desumaniza. Vou dormir.

Confiram minha mais recente proeza. http://nelsonrodrigues.oi.com.br Sorry, periferia.


Publicado por SONIA RODRIGUES em 11:11 PM

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Sábado, Dezembro 17, 2005
Maíra Martins

Cheguei em casa de uma oficina gloriosa e encontro minha neta. Alquímica. Síntese. Tento explicar para meu filho o conceito espiritual, pagão, arcaico, junguiano. Fracasso. Junito de Souza Brandão, antes de mim, tentou e também não conseguiu.

Não me culpo de não me fazer entender. É vida. As tribos são pequenas. Pelo menos não sou louca de não tentar garantir o contato.

Maíra Martins é alquímica. Conheço de ouvir cantar. De ver. Quatro vezes. Mas pressinto que ela é síntese.

Brilho. Independência. Competência para levar a solidão. Suspeito que é isso. Posso estar enganada. Ela canta nessa direção. Hoje escutei o CD. Ela parece saber o que quer como artista.

Isso a fará mais feliz? Terá maior sucesso? Está no rumo certo? Não tenho a menor idéia. Nem em relação à cantora com sua voz linda e presença sorridente, nem em relação à minha neta. Só sei que a alquimia existe. Talvez um Dom. Segunda tenho uma festa de jornalistas, não, não a de ontem, do Comunique-se. Outra. Vou perguntar se conhecem Maíra.

A oficina foi maravilhosa. Não por mim. Tagarelo quando estou ansiosa, sou estabanada quando quero ser doce. Foi maravilhosa pelos físicos e professores de Física que participaram. São especiais, se afastam do senso comum. Um, pelo menos, alquímico, mas funcionando na subestimação. Eles têm problemas com a vaidade holística, os físicos. No entanto, vale um balanço a contribuição que eles dão para que eu organize minhas idéias.

Preciso de quem me organize. Tento dizer que estou magoada e canto nunca mais quero seus beijos., Estou repleta de gratidão e orgulho e escutam sei que eu sou bonita e gostosa E não sei se você me ama e me quer.

Existe em mim uma dificuldade de ser explícita e clara que é de doer.

Paciência. Não é nenhum desdouro.


Publicado por SONIA RODRIGUES em 9:38 PM

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Quinta-feira, Dezembro 15, 2005
Rumo

Comecei hoje a mudar de vida de verdade. Chope ontem com um ex grande amor que ainda enxerga algumas coisas num mesmo rumo mas são poucas as coisas e são poucos os rumos. Consegui não ficar triste, consegui não me sentir culpada por não fazer mais tanta questão da sensação de pertencimento. Preço, escolha, circunstâncias, sabe-se lá o que provoca as fissuras, as lacunas, os cataclismas, as reacomodações.

Festa hoje com a turma da Stella Torreão, festa amanhã do Comunique-se, já estou me despedindo desse ano difícil. Convite para o fim de ano com um grupo de solteiros, o que quer que isso signifique. Solteiros são candidatos a casais? A investigar.
Publicado por SONIA RODRIGUES em 5:13 PM

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Segunda-feira, Novembro 28, 2005
Recado


Publicado por SONIA RODRIGUES em 1:06 AM

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Sábado, Novembro 26, 2005
Agora chega

Publicado por SONIA RODRIGUES em 6:19 PM

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Quinta-feira, Novembro 24, 2005
Esquentando os tamborins


Publicado por SONIA RODRIGUES em 11:37 PM

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Terça-feira, Novembro 22, 2005
Filhinha do papai


Publicado por SONIA RODRIGUES em 8:38 PM

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Domingo, Novembro 20, 2005
Criar


Publicado por SONIA RODRIGUES em 11:52 AM

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Sábado, Novembro 19, 2005
DOR

Dói o dente, dói a coluna, latejam as vitórias. 12 de novembro de 2004, 26 de outubro de 2005. O amor que transcende a dor e partilha prazer é o que vale a pena.
Publicado por SONIA RODRIGUES em 10:27 PM

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AMÉRICA

Cinema em vez de bebida, agora de noite. Road movie, interior dos EUA, paradisíaco, pessoas engraçada, historinha de amor bacana, trilha sonora de primeira.Tão boa a noite que cheguei a pensar em abrir de algumas coisas para persistir em outras, mas não funciona. Ainda bem que estou resistindo, não sei onde estou encontrando forças para não subir ao Corcovado e espalhar minhas proezas. Já escrevo livros, espalho pistas, isso não basta?

Saudades de andar ao sol, saudades de passear em transe pelos corredores do Prado.
Publicado por SONIA RODRIGUES em 12:20 AM

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Quinta-feira, Novembro 17, 2005
Fênix

Mi Mi Fá Sol Sol Fá Mi Ré Dó Dó Ré Mi Mi Ré

Mi Mi Fá Sol Sol Fá Mi Ré Dó Dó Ré Mi Ré Dó

Ré Ré Mi Dó Ré Fá Mi Dó Ré Fá Mi Dó Ré Sol Sol

Mi Mi Fá Sol Sol Fá Mi Ré Dó Dó Ré Mi Mi Ré

Mi Mi Fá Sol Sol Fá Mi Ré Dó Dó Ré Mi Ré Dó

Publicado por SONIA RODRIGUES em 10:11 PM

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Sonia Rodrigues é jornalista e escritora. Nasceu em Irajá, subúrbio carioca,
em 1955, filha de uma mulher solteira de 23 anos, flamenguista, e de um homem casado,
de 43, tricolor. Esses detalhes de origem fazem diferença por ser a flamenguista uma mulher fora do comum e o pai o escritor Nelson Rodrigues.

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